segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Sempre - O Horror dos Horrores

        Acordei mais cedo do que o normal, tinha que voltar para o centro. Ainda estava cedo, então, olhando o tempo frio e nublado, que cobria o chão com um tapete de neve acinzentada de sujeira. Fico tentado em explicar em maiores detalhes a cor que tomou a neve; acho que tomei um gosto por descrever cores, talvez seja o tipo de texto mais próximo à poesia, gênero que, apesar do hábito e do gosto, não cultivo a muito tempo. Sim, descrever cores é somente um sintoma de saudades.
        Frígidos senhores jurados, vendo o tapete, que mais parecia uma mistura de grãos rudes de farinha mal misturados a restos de cinzas de cigarros, decidi, acertadamente, temer o chão descoberto e aproveitar os 30 minutos de silêncio solitário que me restavam para continuar lendo o livro que havia começado antes. Quão boa foi a decisão de continuar a leitura, quanto tempo não fazia que não era sugado para dentro de um livro, acelerando o ritmo da leitura ao meu máximo para devorar bestialmente mais e mais páginas do texto que gostaria que durasse para sempre. Eu sabia que me apaixonei para sempre com o mistério do livro, mas também sei que o livro não será mistério para sempre. Vejo que "sempre" é o horror dos horrores.
        Tanto gostei do conjunto que me vejo, semi-conscientemente utilizando paráfrases e copiando o estilo do autor na esperança de que você, leitor, perceba e persiga o livro. O pouco tempo que tinha passou rápido e, em um piscar de olhos (do mesmo jeito que abandono o estilo do autor), retorno para o centro. Depois da rotina, volteia para a casa que estava e, em mais que agradável surpresa, saímos todos para brincar na neve que, fofa, pálida, abundante e fria, ventava em mim.
        Assim como no livro, retomo, por breve momento, um jeito infantil, uma fascinação pelo novo e pela realização das expectativas que se tem desse novo.

        Não sei o que quem leu achou desse estilo de texto; particularmente, lembra-me mais dos primeiros textos que coloquei, dos textos que posso rever por interesse. Contudo, acho que é ironicamente adequado a mim esse jeito meio esquizofrênico de escrever, combinando palavras difíceis, beirando ser (ou sendo) pedante, e um fluxo de pensamento.
        Não sei o que você acha, mas sei que gosto desse estilo

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