Acabei de voltar da minha estadia em um templo budista. Melhor explicar: fiquei em um templo budista que pratica sunmudo, uma arte marcial. A rotina era bem pesada e bem leve ao mesmo tempo. Quero dizer, tínhamos que acordar 04:00 (sim, da manhã) para uma cerimônia que envolvia canto e meditação (acho que tudo envolvia meditação), por outro lado, não faltavam intervalos para descansar.
Bem, vou comentar da rotina do templo. Só antes uma observação que mudou completamente minha perspectiva; ela pode parecer meio óbvia, mas justamente por isso que não percebemos: monges que habitam um templo são extremamente religiosos, afinal é um templo budista. Isso significa que existe certo grau de extremismo religioso e, principalmente, que não é um filme de ação, ou seja, budismo é "somente" mais uma religião, com seus méritos e incongruências (talvez invisíveis para os que estão dentro dela).
Então, voltando ao templo, cheguei por volta de 16h, depois de 5 horas de viagem, fiz check-in e conheci meu colega de quarto, um coreano que foi mandado pelos país ao templo para ser menos preguiçoso. Em seguida, fomos jantar (17:20) e já me deparei com o primeiro costume religioso: é proibido desperdiçar comida.
Após o jantar, tivemos um intervalo e depois seguimos para uma cerimônia e para o treino de sunmudo. Não há muito o que dizer do treino; começamos com meditação e alongamento, depois treinamento físico (que foi bem puxado) e por último algumas sequências de golpes. Com o fim do treino de 90 minutos, fui tomar banho e dormir, 20:30 mesmo, tinha que acordar 4 da manhã.
Vale falar que, como da para ver na foto, dormi em um cobertor estimado no chão aquecido, estilo típico coreano. Além disso, o chuveiro não existe, é um esguicho e todo o banheiro é espaço para banho.
Pensando melhor, não vou comentar de cada coisa do templo, o texto vai ficar muito grande; vou colocar a foto da rotina do templo quem quiser pergunta alguma coisa. Vou fazer comentários breves.
Começando pelo final, o que fiz no último dia, 01de Janeiro, foi (além da cerimônia de canto 4 da manhã) foi ir ver o nascer do sol. Gostei muito e foi, na minha opinião um encerramento muito bom para minha estadia (igualmente interessante), embora depois eu tenha voltado para o templo para ver outra demonstração de sunmudo pelos monges e almoçar.
Tudo envolvia meditação, incluindo comer (pelo menos de acordo com o panfleto que recebi). Em realidade, ninguém conversava durante as refeições, só não seis era porque estávamos todos meditando ou se a fome era muito grande. Acho que os dois. Além disso, em todas as cerimônias (em tudo na verdade), existiam posturas adequadas, pois transmitiam humildade, um grande ideal dos monges. Contudo acho muito estranho termos que prestar reverência aos hierarquicamente superiores a nós e eles não prestarem de volta.
Por último, o que chamaram de serviço comunitário é espaço na verdade limpar o templo, mas, por algum motivo não consigo imaginar o monge chefe (grand master), com quem tinha tomado chá mais cedo, se abaixando para coletar folhas e colocá-las em um saco; deve estar abaixo dele. Grande humildade, não?
Obs: gostei muito de ter ficado no templo, só que gosto também de ser crítico e quis expor aqui algumas coisas que percebi, mas de forma alguma isso tira o mérito do budismo como religião, pois todas as religiões têm suas contradições.
Obs2: Fiquei duas noites no templo, de Segunda 16h até Quarta 13h, portanto tive aula de arco e flecha.


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