quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Condimentos, Batatas e outras Lições

        Não há muito o que comentar desses últimos dois dias (terça e quarta), a rotina foi a mesma. Acordei 09:00 com o mesmo som que sempre me acorda, o som padrão do alarme do meu celular, um toque calmo e harmonioso, bom para acordar com tranquilidade, mas ainda chato o suficiente para fazer qualquer um levantar da cama (ou chão,  no meu caso) e ter vontade de quebrar o celular.
        Depois disso: café, aula e conversar com as pessoas. Sei que, principalmente se eu colocar em três palavras, meu dia parece chato, contudo, muito por estar dando aula para crianças e a aula ser grande parte jogos, todo dia acaba sendo um diferente. Além disso, não estar muito estressado (acho que ter aprendido a meditar ajudou nisso) contribue para que eu ignore em grande parte o julgamento das outras pessoas (o que nunca faço) e simplesmente me divertir com as crianças. Quero dizer, quando foi a última vez que alguém que está lendo isso se divertiu, digo realmente se divertiu, jogando balões para o alto e não deixando cair no chão?
        Por outro lado, a rotina que varia pouco, deixa-me seguro para efetivamente perceber o meu redor. Acho que essa combinação de afastamento da minha realidade normal (ou seja, a possibilidade de ignorar parte das pressões / cobranças que normalmente existem) e uma rotina (coisa que me da segurança / tranquilidade) cria o ambiente perfeito para que eu aproveite ao máximo qualquer capacidade que tenho de ser observador. Desta forma, embora eu não seja um grande observador, consegui perceber vários detalhes e alguns padrões.
        Alguns dias atrás, enquanto conversava com o meu pai, ele me perguntou o que eu estava comendo e falou que, já que era inverno, eu deveria tomar cuidado para não comer muitos carboidratos. O que aconteceu foi que ele e eu, até alguns momentos, estávamos assumindo que no frio haveria abundância de batata e semelhantes e pouco eu veria de outros tipos de vegetais, como folhas. Durante os últimos dias observei então o que comia. Minha conclusão, acho, é bem interessante e, talvez, um pouco "viajada".
        Até a invenção das geladeiras e até um bom desenvolvimento dos transportes, havia uma grande necessidade de preservar os alimentos. É para isto que as especiarias começaram a ser usadas e, consequentemente, incorporadas na culinária local. Principalmente na ausência de vegetais que aguentem o inverno local, como batatas (que só foram introduzidas na dieta mundial a cerca de 4 séculos - wikipedia), imagino que a necessidade de especiarias aumente. Portanto, em um lugar frio como a Coreia, vejo muito o uso de métodos para conservação de alimentos, principalmente se levarmos em conta que, sendo a batata, um vegetal que aguenta o inverno barato, muito recente comparada com a formação da culinária tradicional, está não teve tempo para incorporar a batata.
        Desta forma, observo que o preservante/condimento escolhido foi a pimenta. Observando principalmente o prato mais típico coreano, o kimchi, pode-se ver o uso de conservas de vegetais (repolho, no caso do kimchi mais comum) que utilizam pimenta. Além disso, há o quase onipresente arroz (ou alguma forma de bolo de arroz, ou ambos). Deste modo, tenho a impressão que entendo em parte o uso de pimenta e a grande falta de vegetais como batata na minha alimentação diária.
        É claro que o que escrevi não passa de observações que transformei em uma ideia e posso estar enganado.

Obs: há várias variações do kimchi, sendo a mais comum a que utiliza repolho.

Obs2: a clara do ovo daqui é marrom (pelo menos no ovo cozido) e o ovo cozido tem uma consistência mais borrachuda que o que estou acostumado no Brasil

Obs3: só fiquei na batata porque foi o vegetal que meu pai falou na conversa

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