segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Uma Boa Dose de Veneno

        Excluindo o aeroporto, acho que é a primeira vez que me encontro com tempo para escrever algo no meio do dia. Hoje é meu último dia cheio em Seoul, mas, apesar disso, por ter dormido tarde (me distraí lendo), acabei acordando pontualmente 8 horas depois que relutantemente parei de ler, uma série de capítulos após o último da noite. Dessa forma, acordei já quase na hora de sair para a única coisa que tinha programado para o dia: um curso de culinária.
        Saí do hotel com calma e, como habitualmente, sem ter comido nada. Já no metrô, a primeira coisa que pensei foi que eu teria que economizar trocados devido ao fato de que preciso colocar crédito no cartão de metrô. A segunda coisa foi que, por algum motivo, uma pessoa no vagão lembrava-me de uma pessoa que eu tinha visto, dois dias seguidos, cantando / rezando sozinho na frente da entrada de um templo pelo qual havia passado ontem e no dia anterior. De resto, eu estava com a mente acelerada, muito por ter lido durante alguns minutos mais cedo.
        Não li o mesmo livro que descrevi antes; gosto de ler mais de um livro ao mesmo tempo, geralmente três: um ligeiramente mais técnico (como Justice, do Sandels), alguma obra literária mais pesada (como Crime e Castigo) e uma bem mais leve, provavelmente envolvendo romance e um ou outro elemento fantástico (Harry Potter, Guia do Mochileiro das Galáxias ou similares). Por que justamente esses três tipos de livros? A explicação pode ser resumida em uma palavra: equilíbrio.
 
Obs: Pulo o próximo parágrafo a não ser que queira ler uma explicação mais detalhada do porque eu leio três tipos de livro ao mesmo tempo

        Deixe-me explicar, de forma ampla, cada livro em cada uma dessas divisões possui seu próprio mérito. De forma mais precisa, acredito que, como falei antes, o prazer de ler vem do mistério (lato sensu) que cada leitura proporciona. Evidentemente, cada leitura proporciona um tipo de "mistério" diferente, contudo, como um bom veneno, cada leitura deve ser apreciada em doses precisas. Digo isso porque cada tipo de livro cria um tipo de tensão ( os conflitos psicológicos profundos de clássicos mais pesados, o acúmulo de informações de livros mais técnicos ou a formação de empatia com as personagens de livros mais leves). O acúmulo de alguma dessas tensões não é agradável, sendo elas somente boas nas doses certas. Portanto, equilibro venenos com outros venenos, podendo aproveitar todos.

        De volta ao meu dia, fui ao curso de culinária e acabei tendo uma aula particular sobre o tema (cozinhar carne ao estilo coreano). Devo dizer que gostei muito e ao final fiquei feliz em ver que poderia comer tudo que preparei (tem uma foto), principalmente por estar com fome (lembra? Eu ainda não tinha comido nada). Depois do final, enquanto me distraia com um panfleto de uma cervejaria artesanal que estava na recepção, ninguém menos que o dono da cervejaria apareceu e então, resolvi que vou ao local (fica a menos de três minutos) antes de voltar ao hotel. Enquanto espero para abrir, resolvi sentar em um café chamado chateau chocolate e, enquanto escrevo, ouço arranjos em piano de algumas músicas como I Dreamed a Dream e Godfather e beberico uma das bebidas de chocolate que são especialidade da casa

domingo, 26 de janeiro de 2014

Açougue

        Realmente hoje não deu. Desisti de acordar em uma hora mais normal e me rendi ao cansaço, acordando só meio dia. O motivo é simples: como eu já tinha falado, dormir no chão descansa muito pouco, pior ainda se estiver calor (como era o caso), depois de 1 mês (quase) nessas condições, precisava dormir bastante.
        Contudo, realmente não foi ruim ter perdido a manhã. Muito porque já não tenho muito mais o que fazer em Seoul e estou espremendo coisas para fazer do guia. Dito isso, a primeira coisa que fiz no dia foi, além de andar uma boa distância, ir para a versão canina do café que fui ontem a noite. Embora eu prefira gatos não posso negar que é muito divertido quase ser derrubado e ser lambido pelo almoço, quero dizer, por um cachorro. Além disso, o café tinha muito mais opções de bebida (embora todas inflacionadas) e foi bem mais fácil de achar.
        A próxima coisa que fiz, depois de passar quase 1 hora brincando com os cachorros, foi andar mais um par de estações de metrô e peguei o metrô para uma estação a quatro outras paradas do lugar que eu queria ir. O resultado foi que fiquei mais de duas horas andando e, quando cheguei no local para onde ia, não consegui achar o restaurante que eu queria ir (durante quase 30 minutos).
        Por falar nisso, minha última parada do dia (antes de resolver pegar o metrô para uma estação longe para conhecer o caminho para o lugar que estou ficando) foi o restaurante. Por que eu queria tanto ir no local? Simples, eu queria risca mais um prato da lista de desafios do guia. O prato foi caranguejo cru fermentado em molho shoyo (o restaurante que fui estava especialmente indicado para esse prato, então, isso combinado com o fato de ser um restaurante chique, me deu segurança para comer o prato).
        Devo admitir que o gosto não era ruim como eu esperava e achei até gostosinho, bom como aperitivo, não como prato principal. Ao contrário do polvo, não tem muito como descrever o gosto, quero dizer, é bem diferente de tudo que eu já provei antes

sábado, 25 de janeiro de 2014

Old Cat Lady

        Como todo Sábado, acordei um pouco mais tarde que o normal. Meu plano era ir direto tomar café no local que guia chamava de melhor padaria de Seoul. Peguei o metrô e descia na estação que o guia falou. Fiquei procurando o local e não encontrei. Quando desisti, resolvi ir até um bairro próximo, onde tem a maior concentração de estrangeiros. Felizmente, no caminho encontro a tal padaria e como algo. Realmente, a comida estava muito boa, mas cometi o erro tático de pegar coisas com recheio, ou seja, que eram difíceis de comer sem se sujar. Depois disso, passiei pelo bairro e, francamente, não achei nada de mais.
        Novamente peguei o metrô. Segui para um museu sobre o processo de democratização da Coreia. O museu fica nas instalações de uma prisão onde os presos eram torturados. Como esperado, o museu era, tentando ser politicamente correto, um pouco enviesado. Deixo passar a chance de falar para qual dos lados. De resto, o museu era bem interessante, valendo a viagem.
        Decidi então andar para o local onde iria almoçar. Nota-se que eram mais ou menos 16h e que o local que eu ia almoçar ficava a 4 estações de metrô de distância. Quando cheguei no local, não consegui encontrar o restaurante que o guia falava e, novamente, depois de desistir de ir no restaurante consegui achar um local que acho que era o lugar que o guia falava. Ficava em uma viela e só consegui encontrar porque resolvi seguir um trio de coreanos que estavam entrando na esquina. Comi bem e barato.
        Para fechar o dia, fui, depois de andar mais 2 horas, tentar encontrar um café no qual a atração principal é que há vários gatos (procure Gio Cat no google). Obviamente, demorar uma eternidade para encontrar o lugar. Imagine: eu tinha que encontrar uma viela e, dentro da viela, no terceiro andar, ficava o café. Tenho auê confessar que não achei que seria bom enquanto eu subia as escadas do prédio nada suspeito dentro da viela também nada suspeita. Felizmente, eu erro e, nesse caso, errei muito feio: foi muito divertido ficar brincando com os gatos enquanto tomava um chá gelado

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Banho Romano

        Novamente, deixei de escrever porque não tinha muito o que falar. Da mesma forma, não tenho muito o que dizer agora que não seja o que fiz no dia.
        Hoje, ao contrário dos outros dias, fomos a uma mistura de parque aquático e spa. Era, na verdade, uma grande piscina com uma série de piscinas aquecidas, saunas e "tobogões". Entre 13h e 17h, ficamos no local (havia almoçado antes). Com toda a sinceridade, não vejo motivo em descrever o que fiz em uma piscina, pois não há nada de interessante. Porém, duas coisas são mais relevantes. A primeira é que, por algum motivo, todos tínhamos que ficar no parque com camisa, short e chapéu. Imagino que seja por questão de higiene, contudo não deixa de ser, ao meu ver, ligeiramente exagerado.
        A outra coisa interessante aconteceu logo depois. Assim que saímos da piscina, tínhamos que tomar banho e, convenientemente, havia um local que só pode ser descrito brevemente como sendo um banho romano. Era uma sala grande com algumas piscinas aquecidas em diferentes temperaturas e chuveiros. A grande diferença era que todos ficavam sem roupa. Claramente, levando em conta minha cultura, foi, por assim dizer, minimamente um choque. Quero dizer, quando entrei no local e percebi como as coisas funcionavam, travei por 5 segundos e, em seguida, copiei a todos os outros. Inacreditavelmente, não foi desagradável como achei que seria.
        Em seguida, fomos jantar por perto. Nada de especial / que valha a pena comentar. Por último, deixaram-me na rodoviária para eu pegar o ônibus de volta para Seoul, onde ficarei até Terça de noite, quando pego o avião de volta

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Sempre - O Horror dos Horrores

        Acordei mais cedo do que o normal, tinha que voltar para o centro. Ainda estava cedo, então, olhando o tempo frio e nublado, que cobria o chão com um tapete de neve acinzentada de sujeira. Fico tentado em explicar em maiores detalhes a cor que tomou a neve; acho que tomei um gosto por descrever cores, talvez seja o tipo de texto mais próximo à poesia, gênero que, apesar do hábito e do gosto, não cultivo a muito tempo. Sim, descrever cores é somente um sintoma de saudades.
        Frígidos senhores jurados, vendo o tapete, que mais parecia uma mistura de grãos rudes de farinha mal misturados a restos de cinzas de cigarros, decidi, acertadamente, temer o chão descoberto e aproveitar os 30 minutos de silêncio solitário que me restavam para continuar lendo o livro que havia começado antes. Quão boa foi a decisão de continuar a leitura, quanto tempo não fazia que não era sugado para dentro de um livro, acelerando o ritmo da leitura ao meu máximo para devorar bestialmente mais e mais páginas do texto que gostaria que durasse para sempre. Eu sabia que me apaixonei para sempre com o mistério do livro, mas também sei que o livro não será mistério para sempre. Vejo que "sempre" é o horror dos horrores.
        Tanto gostei do conjunto que me vejo, semi-conscientemente utilizando paráfrases e copiando o estilo do autor na esperança de que você, leitor, perceba e persiga o livro. O pouco tempo que tinha passou rápido e, em um piscar de olhos (do mesmo jeito que abandono o estilo do autor), retorno para o centro. Depois da rotina, volteia para a casa que estava e, em mais que agradável surpresa, saímos todos para brincar na neve que, fofa, pálida, abundante e fria, ventava em mim.
        Assim como no livro, retomo, por breve momento, um jeito infantil, uma fascinação pelo novo e pela realização das expectativas que se tem desse novo.

        Não sei o que quem leu achou desse estilo de texto; particularmente, lembra-me mais dos primeiros textos que coloquei, dos textos que posso rever por interesse. Contudo, acho que é ironicamente adequado a mim esse jeito meio esquizofrênico de escrever, combinando palavras difíceis, beirando ser (ou sendo) pedante, e um fluxo de pensamento.
        Não sei o que você acha, mas sei que gosto desse estilo

domingo, 19 de janeiro de 2014

Sanjaki - A Comida que Foge do Prato

        Hoje acordei mais tarde, meu plano era simplesmente encontrar com uma pessoa da aiesec. De início foi exatamente o que fiz. Contudo, depois de ficar conversando por algum tempo, decidimos ir ao mercado de peixes para almoçar (o mesmo que já tinha ido). Já no mercado, decidimos que iríamos provar um prato coreano que consta na secção de desafios do guia que tenho (acompanhado, entre outros, pela larva de bicho da seda). Seguindo o conselho do meu pai, compramos, ainda vivo, o almoço e levamos para o restaurante no segundo andar do mercado. Em 5 minutos veio o prato: um par de polvos pequenos cortados, ainda se retorcendo e acompanhados de algumas outras coisas (molhos e acompanhamentos). Para os mais corajosos, tenho um vídeo mostrando como a comida literalmente tentava fugir (só pedir que mando o vídeo).
        Tenho que admitir que só valeu pela experiência e para mandar o vídeo para minha irmã e imaginar a reação dela (sim, sou muito mau). O polvo cru quase não tem gosto e, para completar, imitando um zumbi, só para de se mexer depois de ser mastigado algumas vezes, ou seja, ainda se mexe um pouco na sua boca e agarra qualquer coisa que toca com as ventosas.
        Ao fim da refeição menos kasher que já fiz, separei-me da pessoa que estava comigo e fui para um local com vários mercados de rua que vendiam principalmente roupas. Algumas das coisas interessantes que vi foi uma loja com milhares de gravatas, desde gravatas de seda até gravatas com estampas de caveiras. Outra coisa que achei estranha fique por mais que eu procurasse não encontrei uma única camisa de futebol de um time da Coreia.
        Segui então para um mercado coberto de comidas e, depois de rodar um pouco, sentei em uma barraca que estava lotada e que até tive que esperar para sentar. Comi alguma coisa que parecia ser uma salsicha de sangue, uns pedaços do que parecia ser cartilagem e mais um tipo de filé de porco (tem foto). Nada demais.
        Para finalizar, resolvi andar até uma estação mais ou menos longe de onde eu estava e, no caminho, passei por algumas outras feiras e parava para olhar e andar por dentro. No fim das mais 3 horas andando cheguei ao hotel onde estou agora

sábado, 18 de janeiro de 2014

Atividades Externas, Esportes e Golfe

        Alguns, não muitos, devem ter reparado que não atualizar o blog a alguns dias. O motivo é simples: não pensei em nada interessante para escrever. É claro que interessante é relativo, alguns provavelmente acharam os últimos textos insuportáveis.
        De qualquer modo, agora estou escrevendo de Seoul e é Sábado de noite. Cheguei aqui ontem já mais tarde e só tive tempo de fazer duas coisas: banho e planejar o dia de hoje. Contudo, pude passar a noite em uma cama, o que fez dessa última noite uma das mais confortáveis que tive: não só não dormi no chão, como o quarto estava fresco. É claro que para equilibrar eu tinha que dá a sorte de dividir o quarto com pessoas que, por assim dizer, não encontram em seus hábitos de higiene motivos contrários a deixar um pote sujo de cup noodles em cima da cama.
        Quebrando completamente o assunto, hoje fiz algumas coisas. Depois de acordar fui para a fortaleza de Seoul para fazer uma caminhada de 2 horas, com direito a subir muitas escadas e ter uma visão completa de Seoul. Depois, passei mais algumas horas andando pela cidade e passando por alguns lugares novos. No final das contas, acabei indo para o mesmo mercado de rua que já havia visitado e almocei o que encontrava e não havia provado pelo caminho.
        Isso acabou criando uma situação engraçada. Devido à minha falta de conhecimentos sobre as comidas de rua coreanas, só no final que consegui comer algo salgado. Uma das coisas que comi, e acho que vale a pena comentar, foi uma paquera recheada de mel e amêndoas, contudo a massa tinha algum tipo de bebida alcoólica misturada o que fez esse prato o melhor do dia.
        Ao fim da caminhada, fui visitar um shopping que pode ser o maior da Ásia (de acordo com o guia que tenho). Realmente o shopping é. gigantesco, tão grande que nem tive vontade de olhar tudo; contive-me em passar rapidamente por alguns dos blocos do shopping e olhar bem um complexo interno ao shopping que é, por si só, um shopping bem grande, com direito até a supermercado.
        Para finalizar, só comentar um par de coisas bem interessantes desse complexo interno. Estavam, no supermercado, vendendo cestas de frutas frescas para dar de presente, o que espantou foi que uma cesta com uma dúzia de tangerinas custava o equivalente a R$400,00! Outra coisa foi que no andar de esportes (além da falta de uma única camisa de futebol da Coreia), a placa que identificada o andar estava, na tradução, com o seguinte texto: outdoor activities, sports and golf

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Um Raio da Morte de algum Filme Brega dos Anos 80

        Embora goste de rotina, tenho que dizer que ela tem suas desvantagens. Talvez a principal delas seja o hábito. Sei que é estranho dizer que é uma desvantagem justamente o fator que constitui a rotina e que permite (pelo menos para mim) que eu fique com a mente mais livre. O que acontece é simples, se por um lado a habitualidade permite que eu não me preocupe com planejamento, impede o entusiasmo com as coisas, pois já são padrões. A síntese é a de que a rotina tem um efeito que suaviza os eventos dentro dela: os ruins, como acordar em uma Segunda-feira, aparenta ser menos ruins, porém os bons, como um fim de semana, aparentam ser menos agradáveis.
        Toda essa introdução para dizer que, embora eu goste de onde estou, Segunda-feira sempre será Segunda-feira. Acordei bem, mas um pouco sem paciência de levantar, afinal sempre tenho vontade de continuar dormindo. Contudo, tinha que sair para o centro e conhecer os novos voluntários coreanos. A boa notícia é que gosto mais destes do que dos antigos. Por quê? Boa pergunta, não sei exatamente, contudo não importa muito.
        O resto do dia foi bem tranquilo, e, como esperado, bem dentro da rotina. É claro quê há novidades regularmente e, como não poderia faltar, alguns pontos baixos (sem eles tudo seria muito chato), o de hoje foi a turma que estava agitada, contudo isto não é nada demais. Um outro par de coisas que notei são interessantes.
        A primeira delas é que há um suporte para o esguicho que uso para tomar banho, ou seja, ele acaba se tornando um chuveiro, o que torna meu banho muito mais prazeroso, contudo fico me perguntando como não tinha reparado no suporte antes...
        A outra coisa é um tipo de ventilador invertido. Imagine um ventilador normal, agora, retire as hélices e adicione uma camada de alumínio no fundo do aparelho. Pronto, você acabou de visualizar (espero) o ventilador que esquenta. Fora a aparência de um tipo de antena de televisão pendurada na parede ou de um protótipo futurista de um raio da morte em algum filme dos anos 80, o aparato tem todas as funções de um ventilador comum, ou seja, fica preso na parede e gira, jogando um "jato" de calor seco na direção que aponta.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Segundo Fim de Semana

        Não tenho muito o que comentar do fim de semana, aproveitei para descansar um pouco. Como no fim de semana anterior, Sábado foi o dia de ir a cidade próxima, olhar as lojas e almoçar. Isso realmente é um ponto importante, fico, observando o preço da comida aqui, impressionado como qualquer restaurante no Brasil é extremamente caro.
        No restaurante, provei um prato típico, que é um macarrão de arroz apimentado. Não é como minha mãe comentou ("é tão apimentado que tem que engolir direto" - algo do gênero), mas realmente é bem ardente. Retomando a questão do preço, realmente fiquei impressionado que, com o equivalente a R$9,00, poderia ter almoçado o prato (que era bem grande, possível até de dividir para dois), acompanhamentos (quase todo restaurante tem um micro-buffet no qual é possível pegar alguns acompanhamentos como kimchi, nabo, picles, etc) e ainda ter bebido água (incluso).
        Acho que, pelo menos no Rio, ficaria suspeito de qualquer lugar que me cobrasse o mesmo preço para uma refeição (claro que provavelmente não me impediria de comer, mas eu teria alguma cautela).
        De qualquer forma, depois do almoço rodamos um pouco e voltamos para o vilarejo. De noite os outros intercambistas vieram na casa onde estou e jogamos Uno. O domingo foi mais parado, acordei um pouco mais tarde, com a mesma sensação de não ter dormido. Não sei se é o calor da sauna, o fato de eu estar dormindo no chão ou a infeliz combinação de ambos. Logo após, enquanto lia, chegaram os outros intercambistas para jogar mais Uno

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Problemas de Primeiro Mundo

        Sexta-feira, como segunda, é um dia notável da semana. Talvez seja o hábito, mas sinto que a semana ter 5 dias úteis é um equilíbrio razoável (é claro que eu gostaria de não precisar fazer nada / não ter responsabilidades / viver em uma utopia), levando em conta nosso contexto socioeconômico. No final do quinto dia, já não aguento mais, quero dizer, em média, Sexta-feira é um dia que as coisas vão mais devagar, muito pela falta de paciência, mas, em compensação, sempre tendo a sentir que o descanso deste dia é o melhor.
        De qualquer forma, agora, 23h de Sexta, é um bom momento para relaxar e aproveitar para reclamar um pouco, o que parece relaxar a todos. Obviamente, já que não serei o único que terei o (des)prazer de ler o texto, a única reclamação que farei será bem leve.
        Então, gosto muito de sobremesa, então tenho que fazer exercício para não precisar ser rolado para os lugares. Acontece que não tenho muito como fazer qualquer tipo de atividade aqui, um pouco pelo clima, um pouco por falta de vontade e grande parte por falta de roupa(sim, se eu conseguir roupa tentarei fazer algo).
        Portanto, decidi que vou manerar na alimentação. Com a comida que me oferecem aqui, não é grande desafio. Melhor explicar, não é que a comida não seja boa, mas é, em grande parte, não muito calórica e as sobremesas são raras e, caso haja alguma, não seria, por assim dizer, considerado sobremesa pelos padrões brasileiros (as sobremesas não são doces). Contudo, tenho um grande problema, que é dividido em dois.
        A primeira parte é que aqui há um hábito de jantar bem cedo (antes das 19h) e fazer quase uma 4a refeição mais tarde. Felizmente, geralmente é em sua maioria "junk food", coisa que não gosto, então acabo não fazendo parte. Por outro lado, também me oferecem muita comida na casa que estou, quero dizer, em grandes porções. Desnecessário comentar que acabo relutando em aceitar para não ofender e recusar pela simples ausência de fome.
        Para finalizar, não há necessidade de se preocupar com a minha alimentação, estou conseguindo manter um bom equilíbrio e educadamente recusando a comida em excesso.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Duas Cartelas de Adesivos

        Tive tempo para continuar reparado nas coisas, desde aparelhos que nunca tinha visto, alguns que envolvem o uso de radiação ultravioleta para esterelizar algo (copos ou escolas de dentes, por exemplo), até algumas particularidades, como o fato de que muitos dos locais da região possuem um tipo de tapete plástico que imita as tábuas de madeira das casas tradicionais. Gosto muito de ter tempo para fazer esse tipo de coisa, talvez não pela atividade em si, mas por ser algo que ocupa mais a mente, ter a cabeça ocupada com somente uma coisa.
        Como estou agora, algo que ocupe completamente a mente é difícil caso eu queira envolver mais pessoas, contudo fico feliz em poder voltar a ter tempo para ler algo antes de dormir. Acho que desde o início da faculdade quase não consegui ler coisas por fora, muito por já estar com a cabeça cansada ou por simplesmente não ter tempo. De qualquer modo, tenho conseguido ler os livros que trouxe.
        Por outro lado, hoje ainda mantive a rotina dos últimos dias, o que acaba limitando o assunto. Porém, continuo satisfeito com as aulas; ontem, depois de escrever, fiquei me perguntando se, apesar de estar gostando das crianças, elas estão gostando de mim. Felizmente, como poucas coisas da vida, acho que a resposta veio hoje, ou seja, rapidamente.
        A primeira coisa que aconteceu foi que, logo antes do jantar (almoço e janto no centro), duas das crianças vieram me presentear com um par de cartelas de adesivos. Tenho que tomar cuidado para não enxergar demais onde não há nada, mas, mesmo que eu esteja errado, prefiro acreditar que o gesto foi de afeição.
        O segundo momento acho que foi mais claro, embora a mesma observação anterior continue valendo. Após o jantar, enquanto pegava chá, fui convidado por duas crianças para jogar jogos de tabuleiro com elas. Como nota, diverti-me com os jogos (alguns que entendia outros que não muito).

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Condimentos, Batatas e outras Lições

        Não há muito o que comentar desses últimos dois dias (terça e quarta), a rotina foi a mesma. Acordei 09:00 com o mesmo som que sempre me acorda, o som padrão do alarme do meu celular, um toque calmo e harmonioso, bom para acordar com tranquilidade, mas ainda chato o suficiente para fazer qualquer um levantar da cama (ou chão,  no meu caso) e ter vontade de quebrar o celular.
        Depois disso: café, aula e conversar com as pessoas. Sei que, principalmente se eu colocar em três palavras, meu dia parece chato, contudo, muito por estar dando aula para crianças e a aula ser grande parte jogos, todo dia acaba sendo um diferente. Além disso, não estar muito estressado (acho que ter aprendido a meditar ajudou nisso) contribue para que eu ignore em grande parte o julgamento das outras pessoas (o que nunca faço) e simplesmente me divertir com as crianças. Quero dizer, quando foi a última vez que alguém que está lendo isso se divertiu, digo realmente se divertiu, jogando balões para o alto e não deixando cair no chão?
        Por outro lado, a rotina que varia pouco, deixa-me seguro para efetivamente perceber o meu redor. Acho que essa combinação de afastamento da minha realidade normal (ou seja, a possibilidade de ignorar parte das pressões / cobranças que normalmente existem) e uma rotina (coisa que me da segurança / tranquilidade) cria o ambiente perfeito para que eu aproveite ao máximo qualquer capacidade que tenho de ser observador. Desta forma, embora eu não seja um grande observador, consegui perceber vários detalhes e alguns padrões.
        Alguns dias atrás, enquanto conversava com o meu pai, ele me perguntou o que eu estava comendo e falou que, já que era inverno, eu deveria tomar cuidado para não comer muitos carboidratos. O que aconteceu foi que ele e eu, até alguns momentos, estávamos assumindo que no frio haveria abundância de batata e semelhantes e pouco eu veria de outros tipos de vegetais, como folhas. Durante os últimos dias observei então o que comia. Minha conclusão, acho, é bem interessante e, talvez, um pouco "viajada".
        Até a invenção das geladeiras e até um bom desenvolvimento dos transportes, havia uma grande necessidade de preservar os alimentos. É para isto que as especiarias começaram a ser usadas e, consequentemente, incorporadas na culinária local. Principalmente na ausência de vegetais que aguentem o inverno local, como batatas (que só foram introduzidas na dieta mundial a cerca de 4 séculos - wikipedia), imagino que a necessidade de especiarias aumente. Portanto, em um lugar frio como a Coreia, vejo muito o uso de métodos para conservação de alimentos, principalmente se levarmos em conta que, sendo a batata, um vegetal que aguenta o inverno barato, muito recente comparada com a formação da culinária tradicional, está não teve tempo para incorporar a batata.
        Desta forma, observo que o preservante/condimento escolhido foi a pimenta. Observando principalmente o prato mais típico coreano, o kimchi, pode-se ver o uso de conservas de vegetais (repolho, no caso do kimchi mais comum) que utilizam pimenta. Além disso, há o quase onipresente arroz (ou alguma forma de bolo de arroz, ou ambos). Deste modo, tenho a impressão que entendo em parte o uso de pimenta e a grande falta de vegetais como batata na minha alimentação diária.
        É claro que o que escrevi não passa de observações que transformei em uma ideia e posso estar enganado.

Obs: há várias variações do kimchi, sendo a mais comum a que utiliza repolho.

Obs2: a clara do ovo daqui é marrom (pelo menos no ovo cozido) e o ovo cozido tem uma consistência mais borrachuda que o que estou acostumado no Brasil

Obs3: só fiquei na batata porque foi o vegetal que meu pai falou na conversa

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O Que Quase dá para 1, Quase Dá para 2 e em diante?

        Segunda-feira, esse dia geralmente é considerado, bem, a Segunda-feira da semana. Não há muito o que dizer, para a grande maioria (acredito) é o primeiro dia após o fim de semana, é voltar à acordar cedo, ao trabalho, à rotina. Quem nunca teve um caso de "Monday blues"? Acho que até aquelas pessoas que são inimagináveis sem um sorriso no rosto já abriram a janela em uma segunda feira, com um copo de café já meio morno na mão e pensaram simplesmente que seria uma boa decisão abolir as Segunda-feiras.
        Felizmente essa segunda não foi como uma núvem particular chovendo sobre mim, muito porque, com o clima, estaria ou nevando ou caindo granizo. Embora tenha começado lenta, foi um dia bem, vamos dizer, interessante.
        Como disse, começou devagar, acordei na sauna e tomei café (não de verdade, aqui o café é um instantâneo adoçado e com leite) com o filho mais velho da família, com o qual dividi o quarto nas noites anteriores. Terminei levantei e fui para o centro (lugar onde dou aula). Chegando lá, por volta das 10, combinei com os outros intercambistas o que faríamos no dia, que seguiu como o planejado: recebemos os voluntários coreanos, que durante essa semana darão aulas também (o casal que veio fala um inglês intermediário), dei aula para as crianças entre (não tenho certeza) 5 e 9 anos, aula que foi muito divertida, e, no final do dia, jogamos cartas.
        O interessante do dia não foi isso. Desde a chegada dos voluntários, fiquei sabendo que o homem dormiria na mesma casa que eu e, durante o dia, parou a ansiedade de três pessoas dividirem, como cama, um espaço horizontal contínuo de mais ou menos 1,8m (sim, eu medi). O quarto, que já é quente a ponto de eu apelidar de sauna, é complementado por uma dupla de ocupantes que rola durante o sono, a ponto de, nos últimos dias, ter acordado no meio da noite em diversos pontos da faixa de 180cm; claramente um terceiro ocupante não seria prazeroso.
        Até 1 hora antes de dormir, para nós três, dormiríamos no mesmo quarto, contudo descobrimos que um de nós, o filho mais velho, dormiria no chão da sala, o que não é tão ruim se levarmos em conta que todos dormimos no chão e que lá é mais fresco. Porém, provavelmente foi acordado de manhã cedo com barulho, o que compensa ser menos aquecido

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Tofu de Feijão Preto

        o primeiro fim de semana no vilarejo não foi inteiro no vilarejo. Sábado fomos, eu, as intercambistas e parte da família que as hospeda, para a cidade próxima (40 minutos de ônibus). Pelo que pude perceber, era mais ou menos do tamanho de Teresópolis.
        O que fizemos na cidade não foi muito. Chegamos e nos encontramos com o resto da família que hospeda as outras intercambistas em uma loja de bonecos de meia, onde uma das pessoas aprendia a como fazer o próprio boneco. Neste momento aproveite a chance e comprei os materiais para fazer meu próprio. Após, fomos almoçar churrasco coreano, uma mistura de churrasco com fondue, quero dizer, servi-nos-íamos com carne crua (e acompanhamentos) e cozinhávamos em uma chapa na mesa.
        Após o fim da comida, andamos um pouco pela cidade e vimos algumas lojas. Ao fim, fomos ao cinema e vimos Ender's Game, filme que, embora não muito bom, superou minhas expectativas. Com o fim disto voltamos e passei o resto do dia com a família que me hospeda.
        Domingo foi um duas simples, que passei na cidadezinha. Durante a manhã fizemos um tofu de feijão preto, que, na prática, tem o mesmo gosto que tofu normal, só que com uma cor diferente. Era um tipo de cinza escuro que poderíamos esperar de um terno de um contador daqueles que assombra os sonhos de pequenos empresários com dívidas no cartão de crédito e de seus respectivos gerentes de banco; contudo, sob certos ângulos, mentia sobre sua cor sem graça e se fingir de um roxo escuro nobre, de um púrpura que poderia ser usado na capa de um rei. Eu sei que é estranho gastar tantas linhas falando da cor de um dos pratos do almoço, mas acho que a cor não poderia ser mais adequada para esse prato que, assim como a cor, é aparentemente medíocre, mas que esconde algo nobre, tornando a mediocridade em humildade (no caso, descobri que só se faz esse prato uma única vez por ano).
        Sem entrar em "meta-comentários" como o de nunca ter achado que passaria mais de 10 linhas falando da cor de uma espécie de tofu, o resto do Domingo foi conhecendo o resto da família que me hospeda, digo, tomando a casa que estou como referência, o tio e seus agregados. Foi uma noite bem divertida, contudo sem muito a comentar que não as ocasionais dificuldades em comunicação.
        Por último, vale comentar que o quarto que estava dormindo (ou a sauna, como carinhosamente apelidei, embora abrir a janela resolva o problema), dividi, durante o fim de semana, com o irmão mais velho da casa que estou (ele estava fora, na universidade, acho).

domingo, 5 de janeiro de 2014

De volta à nova rotina

        Depois de terminar de contextualizar, vou voltar a falar de como é minha estadia na Coreia. Na minha primeira manhã, acordei suado por causa do calor do quarto e tive que tomar banho.
        Consegui, com alguma tranquilidade usar o esguicho sem congelar e, no fim, fique feliz pelo conselho que meu pai me deu de trazer uma das toalhas super absorventes e que podem ser usadas várias vezes. Isto porque, desde o templo, não recebi toalhas e tive que usar minha própria.
        Depois do banho segui para o centro e passei o dia lá, com almoço e janta e dando já a primeira aula. Não há muito o que comentar da aula. Por mais que não goste, o método dos cursos de inglês é relativamente eficaz e consegue lídar, em parte, com alunos desinterssados; contudo, tenho minhas dúvidas se o método não cria mais alunos interessados.
        Ao fim do dia, algumas pessoas vieram para a casa que estou e todos jogamos cartas. Depois de algumas partidas de uno (sim, existe uno na Coreia), levantamos e fomos comer. Nesse momento percebi que aparentemente é relativamente padrão ter, após, o jantar um lanche bem completo, com o tamanho de uma refeição.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Era uma casa muito engraçada...

        Levando em conta como descrevi a cidade, acho que poucos vão imaginar corretamente como é a casa que estou. Para começar, como no templo, durmo em um colchão fino no chão aquecido e o chuveiro é, assim como no templo, um esguicho. Fora isso, a casa é bem moderna, possuindo desde um filtro que sai água fervendo até um home theater completo com uma tv gigante.
        Contrastando ainda mais com o esperado de uma cidade bem do interior, tudo da casa é extremamente moderno e tenho internet. A casa é de um tamanho bem razoável, contando com 4 quartos e uma sala/cozinha. Por dormir no chão, todo espaço é muito bem aproveitado, quero dizer, não há espaço comprometido como cama.
        Uma coisa que achei muito diferente é o fato de que o quarto que estou hospedado não parece ter função definida, ou seja, não é o quarto de algum membro da casa, mas sim uma mistura de armário (aparentemente todos guardam parte de suas roupas aqui) e sala de estudo (há uma escrevaninha e um computador). Outra coisa é que o quarto é extremamente quente, o que fez com que minha primeira noite não fosse muito agradável (excluindo é claro o chão, que é, pelo menos acho, não muito adequado para dormir, mesmo com o micro colchão).
        Por último, dormi sozinho no quarto as primeiras duas noites e, ontem, dividiu o quarto com o filho mais velho (que não mora sempre na casa). Ainda não sei se terei que dividir sempre o quarto.
        Acaba por aqui a contextualização e, no próximo texto, já volta a ser sobre o que estou fazendo

O Acre da Coreia...

        Não expliquei ainda, mas não estou na Coreia com o motivo principal de fazer turismo, faço parte de um programa de intercâmbio voluntário e farei trabalho social. Qual? Vou dar aulas de inglês para crianças / adolescentes. Uma vez isso esclarecido, posso continuar e contar como foi o primeiro dia após o templo.
        Depois de acordar fui a estação de ônibus que já conhecia e peguei um ônibus que ia, eu achava, para a cidade do interior que eu ficaria. Em realidade, fui para uma outra cidade uma vez que cheguei ao primeiro destino. Quero dizer, imagine uma cidade do interior, essa que você pensou ainda é muito grande; pense naquela cidade tão pequena que para chegar você primeiro pega um ônibus de rodoviária para a menor cidade e, desta cidade, pega outro ônibus para uma cidade menor ainda, é nesta última que estou.
        De qualquer modo, depois que cheguei na primeira rodoviária, eu e a intercâmbista chinesa que fará o programa comigo fomos levados para a cidade onde estou. Assim que chegamos, conheci a escola na qual darei aula e gastei 5 minutos fazendo o tour completo pela cidade e suas ruas perpendiculares.
        Depois segui para a casa onde estou. Vou ficar na casa de uma família da cidade. Há muito o que comentar da minha estadia, então deixo comentários sobre a família e sobre o resto para outros textos.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Templo

Acabei de voltar da minha estadia em um templo budista. Melhor explicar: fiquei em um templo budista que pratica sunmudo, uma arte marcial. A rotina era bem pesada e bem leve ao mesmo tempo. Quero dizer, tínhamos que acordar 04:00 (sim, da manhã) para uma cerimônia que envolvia canto e meditação (acho que tudo envolvia meditação), por outro lado, não faltavam intervalos para descansar.
        Bem, vou comentar da rotina do templo. Só antes uma observação que mudou completamente minha perspectiva; ela pode parecer meio óbvia, mas justamente por isso que não percebemos: monges que habitam um templo são extremamente religiosos, afinal é um templo budista. Isso significa que existe certo grau de extremismo religioso e, principalmente, que não é um filme de ação, ou seja, budismo é "somente" mais uma religião, com seus méritos e incongruências (talvez invisíveis para os que estão dentro dela).
        Então, voltando ao templo, cheguei por volta de 16h, depois de 5 horas de viagem, fiz check-in e conheci meu colega de quarto, um coreano que foi mandado pelos país ao templo para ser menos preguiçoso. Em seguida, fomos jantar (17:20) e já me deparei com o primeiro costume religioso: é proibido desperdiçar comida.
        Após o jantar, tivemos um intervalo e depois seguimos para uma cerimônia e para o treino de sunmudo. Não há muito o que dizer do treino; começamos com meditação e alongamento, depois treinamento físico (que foi bem puxado) e por último algumas sequências de golpes. Com o fim do treino de 90 minutos, fui tomar banho e dormir, 20:30 mesmo, tinha que acordar 4 da manhã.
        Vale falar que, como da para ver na foto, dormi em um cobertor estimado no chão aquecido, estilo típico coreano. Além disso, o chuveiro não existe, é um esguicho e todo o banheiro é espaço para banho.
        Pensando melhor, não vou comentar de cada coisa do templo, o texto vai ficar muito grande; vou colocar a foto da rotina do templo quem quiser pergunta alguma coisa. Vou fazer comentários breves.
        Começando pelo final, o que fiz no último dia, 01de Janeiro, foi (além da cerimônia de canto 4 da manhã) foi ir ver o nascer do sol. Gostei muito e foi, na minha opinião um encerramento muito bom para minha estadia (igualmente interessante), embora depois eu tenha voltado para o templo para ver outra demonstração de sunmudo pelos monges e almoçar.
        Tudo envolvia meditação, incluindo comer (pelo menos de acordo com o panfleto que recebi). Em realidade, ninguém conversava durante as refeições, só não seis era porque estávamos todos meditando ou se a fome era muito grande. Acho que os dois. Além disso, em todas as cerimônias (em tudo na verdade), existiam posturas adequadas, pois transmitiam humildade, um grande ideal dos monges. Contudo acho muito estranho termos que prestar reverência aos hierarquicamente superiores a nós e eles não prestarem de volta.
        Por último, o que chamaram de serviço comunitário é espaço na verdade limpar o templo, mas, por algum motivo não consigo imaginar o monge chefe (grand master), com quem tinha tomado chá mais cedo, se abaixando para coletar folhas e colocá-las em um saco; deve estar abaixo dele. Grande humildade, não?

Obs: gostei muito de ter ficado no templo, só que gosto também de ser crítico e quis expor aqui algumas coisas que percebi, mas de forma alguma isso tira o mérito do budismo como religião, pois todas as religiões têm suas contradições.

Obs2: Fiquei duas noites no templo, de Segunda 16h até Quarta 13h, portanto tive aula de arco e flecha.

Terceiro Dia

Comecei o dia cedo, indo ao mercado de peixes do outro lado do rio. Como nos outros dias, passei antes na padaria perto do lugar onde estava para comprar meu café da manhã. Não sei o que aconteceu, mas finalmente consegui comprar o pão que queria; digo isso porque nos dias anteriores toda vez que escolha um pão com base na etiqueta vinha algum outro. Contudo, acho que era previsível, principalmente se levarmos em conta as "traduções" que tinham em outras etiquetas: pão recheado de maçã com gorgonzola ou de creme de leite.
        De qualquer forma, consegui provar o pão recheado de Kimchi (conserva de vegetais), era gostoso, mas não muito...
        Peguei o metrô para o mercado de peixes, saí da estação e atravessei uma passarela que dava no topo do mercado. Enquanto o cheiro de peixe já se fazia sentir da metade da passarela, vi pela primeira vez na Coreia um mendigo pedindo esmola: fiz então o que qualquer pessoa faria.
        O espaço era fechado, mas não muito menos frio que o lado de fora. Aquários minúsculos lotados de peixes, alguns vivos outros não (só não sei quais eram os mais sortudos), decoravam o local e eram acrescidos por arraias frescas e algas marinhas. Senti-me tão presa quanto foram os peixes: os vendedores olhavam para mim e me convidavam para comprar. A experiência no Rio me ajudou, saí do mercado após algumas voltas e segui para encontrar com duas pessoas da Aiesec.
        O resto do dia foi agradável: almoçamos, tomamos chá e fomos a uma livraria perto de uma pista de patinação no gelo. Durante as conversas, descobri que orientais também têm dificuldade em diferenciar ocidentais e que aparentemente vários cantorEs de k-pop gostam de usar cabelo longo pintado de branco.
        Terminamos o dia patinando no gelo e vendo um senhor com roupas tradicionais coreanas patinando também. Segui para o hotel, tinha que preparar a mala porque saía no dia seguinte para ficar um par de noites em um templo budista.

Segundo Dia

O dia começou também com uma surpresa agradável. Enquanto ia em direção ao templo (shrine, não lembro a melhor tradução), encontrei o museu do ttoek (bolo de arroz), onde fiz uma rápida visita aos 2 andares de museu e tomei chá e provei vários tipos de bolo de arroz.
        Em seguida, continuei para o templo (que é patrimônio mundial de acordo com a Unesco) e fiz uma caminhada longa e muito agradável pelo terreno. Segui então para o último palácio de Seul (são 4 palácios e 1 templo), ao contrário do dia anterior,  não tive a chance de ver uma cerimônia de troca de guardas ( vi 2 no primeiro dia).
        Terminados os templos, andava até o bairro com casas tradicionais até que esbarrei em uma casa de chá e fui convidado a entrar, para o melhor chá da minha vida. Dentro da casa, fui servido 2 chás de $300,00 ( um deles que nem mais é produzido). O que aconteceu foi que dei a sorte de que uma cliente frequente estava lá e falava inglês, todos estávamos sentados em volta de uma bancada na qual o chá era preparado de um modo tradicional. No fim, comprei um pouco de um chá (não o mais caro, que chegava a $500,00) e a dona da loja me ensinou a fazer da forma correta.
        Aquecido, pude ir ao bairro tradicional, onde andei por 2 horas, meio perdido meio explorando. Descobri vários museus dentro de casas tradicionais: tive experiências ruins e boas. No fim passei um bom tempo no museu de artesanato tradicional, aproveitando o chão aquecido e conversando com as pessoas do museu.
        Segui então (me perdendo algumas vezes pelo caminho) para o decepcionante beco do bolo de arroz, com apenas 2 lojas (fracas) de bolo de arroz. Entrei então no que acreditava ser um arcade gigante (pelo menos é o que estava escrito no mapa) e me surpreendi ao descobrir que se tratava de um shopping gigante só com lojas de instrumentos musicais.
        Como última experiência agradável do dia, acabo perdido em uma feira, onde pude risca um dos desafios gastronômicos do guia, larva de bicho da seda: vendida em copos cheios, com aparência pouco aceitos e com pouco gosto ( valeu a pena pela experiência, mas não repetiria). Encontrei também uma barraca que vendia um doce em formato de peixe, comprei as duas variedades: feijão vermelho e o que julgo ser um doce de limão, ambos muito bons.
        Quando sai da feira vi uma grande concentração de policiais e resolvi rapidamente entrar no metrô e seguir para a última parada do dia: a torre Nansam. Consegui chegar no local e passei, depois de ver o por do sol, agradabilíssimas duas horas em filas: uma para subir e outra para descer a torre, ao menos a vista é boa.
        Terminou assim o cansativo dia.

obs: Depois descobri que teve uma manifestação contra a privatização de algo, as pessoas da aiesec não souberam explicar direito...
 

Primeiro Dia

Primeiro dia cheio em Seul, clima frio (mas suportável) e alguns encontros engraçados. O plano do dia foi ir visitar os palácios no centro de Seul. Não vou ficar falando de cada palácio ou de cada coisa, só do mais interessante.
        O dia começou com a visita a um palácio, até aí nada demais. Contudo, no palácio encontro alguns turistas japoneses tentando tirar foto do próprio grupo e me ofereço para fazê-lo. Resultado: eles querem tirar fotos comigo também. Divertido não? (sim eu tenho a foto).
        Em seguida, fui a alguns mercados que tinham perto e fiz a melhor compra da viagem: um par de luvas (que funcionam com touch screen). Acho que o frio influenciou nos mercados, que estavam ligeiramente vazios, contudo pude provar minha primeira comida coreana: uma massa recheada de macarrão transparente com molho de soja e legumes.
        Mantive o ritmo até as 15h, horário em que combinei de encontrar uma pessoa para trocar dinheiro. Aproveitei a oportunidade para pegar indicação de como chegar à  torre Nansam, um local que dá para ver toda a cidade.
        Claramente, faltaram problemas durante o dia, logo a noite deveria compensar. Após 1 hora e meia no trânsito, seguindo fielmente as instruções que me haviam sido dadas, cheguei em uma rua escura da qual podia ver a torre, em cima de uma colina a alguns quilômetros. O frio insuportável me fez desistir e voltar para o hotel.
        Para os que ficaram curiosos, consegui voltar depois de andar 30 minutos e encontrar uma estação de metrô. No final das contas, gostei do primeiro dia.

Primeira Noite

Primeira Vista de Seoul

        Um pouco depois de passar pelo imigração, tive que encarar mais 1hora de metro e 5 minutos de caminhada a -2c até o hotel que estou, um lugar legal até.
        Recheado de memes pelos corredores, o lugar que estou se destaca por algumas coisas:
1- quarto coletivo (divido meu quarto com 7 pessoas), assim como os banheiros
2- Limpeza
3- Wi-fi grátis
4- Donos bem humorados que falam inglês e estão dispostos a ajudar

De qualquer forma, estou satisfeito com o lugar.

        Depois de deixar minhas coisas, saí com duas pessoas da aiesec para comer algo. Já que o albergue fica em uma área bem freqüentada e com muitos restaurantes, Fomos em um que eraO próximo e experimentei soju, uma bebida distilada com 20% de álcool e com gosto de vodca.
        Em seguida, voltei para o hotel. Realmente, não deu para fazer muito em 4 horas e esse é um texto mais para tranquilizar meus pais que qualquer coisa. Por fim, amanhã visito os palácios.

Transição

Vôo para Seoul

        Acabo de entrar no avião, restam-me 30 minutos até a decolagem e acho que vale a pena terminar o dia (são 2 da manhã, horário de Dubai) com algo um pouco mais leve, como os olhares que estou recebendo.
        Não faz 10 minutos estava sentado em um segundo espaço esperando para embarcar no avião, que agora descobri que tem 2 andares. No primeiro espaço, quase não percebi que me olhavam, talvez a esmagadora maioria de coreanos ao meu redor não havia percebido ainda que o loiro rosado estivesse indo para Seoul junto com eles.
        Acho muito engraçado a reação das pessoas: observam como se esperassem que eu tire a peruca. Por enquanto somente um outro passageiro me cumprimentou, um senhor asiático que senta ao meu lado no vôo. E, assim, com um senhor sentado na cadeira ao lado começa o vôo de sete horas.
        Várias coisas acontecem durante o vôo: paninhos aquecidos, um catálogo infinito de filmes (que inclui o incrível filme sharknado) e vários avisos que não consigo entender. Acontece então algo que muda minha perspectiva sobre este texto.
        Acabo de pensar que este texto serve mais como final do prólogo das minhas férias, muito por algo que acabou de acontecer. Entregaram-me o menu do vôo, com as opções que terei de comida, e me surpreendi que, mesmo consultando um guia de viagem, não consigo decifrar completamente nenhum dos dois pratos. Minhas opções:

a) Galinha com molho de kimchi (conserva alimentada de legumes) acompanhada de arroz japonês e pak choi bebê (?!?!?)

b) Mutton(?!?!?) com molho de pimenta do reino preta, purê de batata e vegetais

Boas vindas da Coreia para mim!

Obs: acabei de descobrir que mutton é carneiro e que aparentemente sou limitado por não saber disso antes

Obs2: por enquanto, a aeromoça não sabe o que é pak choy

Obs3: pak choy é um vegetal

Dubai

   Acabei de terminar meu passeio pelo aeroporto de Dubai e ainda me resta esperar 2 horas e meia para embarcar no próximo vôo, este para Seoul. Mesmo sem a chance de conhecer a cidade, já tenho muito a falar.
        É muito interessante estar sentado em um banco ed aeroporto observando uma placa de indicação escrita "prayer rooms" (fico devendo uma foto, não vou levantar para tirar uma da placa do aeroporto). Isto se torna mais excêntrico se combinado com o fato de que para chegar nessas salas tenho que passar por um complexo de compras que deixaria o Botafogo Praia Shopping envergonhado. Tem de tudo: desde lojas da Armani, que reforçam a propaganda que vi no vôo sobre um hotel da rede de roupas, até um whisky de $5000,00, passando por latinhas em árabe de refrigerantes.
        Provavelmente, os que me conhecem melhor já sabem que não resistir e comoreimuma das misteriosas latinhas (com várias palavras escritas) em árabe. Ao desembolsar $1,00, recebi uma moeda que não consigo sequer dizer o valor e uma lata fina e rosa, que continha um líquido igualmente rosa-iogurte-de-morango. Embora já soubesse qual era a bebida, quando bebi, fui surpreendido por um gosto doce, quase enjoativo, de rosas. Realmente, não tinha o porquê de ficar surpreendido, o gosto era o esperado, se não contamos a doçura excessiva. Por último, gastei a moeda e mais um pouco por um chocolate com wasabi (ainda não provei). De qualquer forma, as surpresas acabaram por aqui, de resto Dubai é bem parecida com vários outros lugares do mundo: lojas, propagandas e alguns excessos consumistas. Contudo, uma semelhança me chamou muita atenção.
          Foi quando me pediram para abrir a janela do avião na aterrissagem que percebi que Dubai me lembra muito do Rio de Janeiro; melhor explicar o porquê. Quando o avião começou a descer, notei uma coisa realmente estranha: vários pedaços da terra tinham várias luzes e outros trechos grandes, sem uma única iluminação eram evidenciados por um contorno luminoso de estradas.
        Em primeiro momento, cheguei a achar que essas zonas escuras eram nada mais que água, uma vez que eventualmente nelas adentravam linhas iluminadas que julguei se tratar de piers. Contudo havia muitos lagos para serem realmente lagos e comecei a achar que se tratavam de plantações; isso durou até o momento que vi um farolmde carro se movendo por dentro de uma das plantações e iluminado uma série de casebres  Não sei se todas as zonas escuras realmente são bairros pobres, ou se a grande maioria é de plantações. Contudo, a ironia de ao mesmo tempo sobrevoar um bairro sem qualquer luz enquanto via um comercial de um hotel da Armani localizado na mesma cidade me lembrou de casa

Introdução

Bem, nunca tive a paciência de escrever um blogue, mas talvez valha a pena tentar. Neste exato momento estou devolvendo a toalhinha que me deram assim que sentei e me perguntando qual dos vários filmes devo ver. Antes de continuar é melhor explicar o que está acontecendo: estou sentado em um avião da Emirates em direção a Dubai, onde outro avião para Seoul está.
        Se você está leno isso,  provavelmente sabe o que estou indo fazer na Coréia, mas, na dúvida melhor dizer. Depois de muito esforço, vou fazer parte de um programa de intercâmbio combinado com trabalho social, mais especificamente, vou dar aulas de inglês para crianças carentes no interior da Coréia. É um acordo interessante: dou as aulas de inglês e, em troca, recebo comida e acomodação.
        Por falar em acomodação, vou, até dia 02/01, ficar em Seoul como turista. Aparentemente, já tenho um "hotel" reservado, mas por $11,00 fico receoso, mas acho que me viro (qualquer coisa, tenho endereços de outros hotéis). Acho que será uma experiência divertida, mas por enquanto só me resta aproveitar o vôo.